Para integrar cada vez mais os indígenas venezuelanos da etnia Warao à cultura brasileira, a Fundação Papa João Paulo XXIII (Funpapa) promoveu nesta sexta-feira, 10, uma atividade cultural com os indígenas acolhidos no abrigo do Tapanã. A programação contou com apresentações de danças típicas e contemporâneas, brincadeiras típicas e oficinas de desenho e pintura.
Para Helrica Mota, assistente social da Funpapa, a ação é resultado de diversas atividades realizadas ao longo desta semana. “Estamos apresentando a cultura da festa junina com oficinas de culinária e danças típicas. Durante a semana, realizamos diversas atividades com os técnicos. Fizemos o cinemazinho para as crianças com direito a pipoca e conto das lendas amazônicas como do boto e vitória-régia. A programação vai continuar até o final do mês”.
“Para que eles possam se sentir acolhidos é importante que conheçam um pouco da nossa cultura. Toda semana tem uma programação para que seja possível este intercâmbio cultural, onde a gente conhece um pouco da cultura deles e ensinamos um pouco da nossa. Sempre tentamos manter essa dinâmica no espaço”, continua Helrica Mota. O espaço abriga hoje 221 pessoas num total de 54 famílias.
Programação – O espaço passou a semana enfeitado de bandeirinhas, fogueira e varal com desenhos. A programação contemplou também atividades paralelas como oficina de alimentação, apresentações de mímicas Warao, apresentação de dança contemporânea dos jovens, danças típicas como carimbó e quadrilha. A ONG Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), que é uma organização humanitária mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) realizou a oficina de alimentação.
“Somos parceiros há seis meses da Funpapa e já fizemos oficinas com adolescentes e as mães. Hoje estamos fazendo a oficina de mingau de milho, uma comida típica brasileira. Eles usam muito milho roxo na culinária da Venezuela. Eles já nos ensinaram a fazer a ‘chicha’ que é uma bebida indígena e a ‘cachapa’ que é uma panqueca de milho muito boa. E agora estamos mostrando como usamos o milho na nossa culinária”, conta Valceni Marques, nutricionista e coordenadora técnica da ADRA – Unicef. “Este é um trabalho desafiador por conta da dificuldade da linguagem. Mas quando ganhamos a confiança deles é muito prazerosa”, completou.
Warao – Roisadael Calderón, de 35 anos, vem sendo assistido pela Funpapa há oito meses e relata que sempre foi bem atendido e que participa de todas as atividades promovidas no espaço. “Nessa semana, nós participamos de muitas atividades e elas envolveram todos, crianças e adultos. Acho muito bom esses momentos de diversão que a gente conhece um pouco da cultura daqui”, relata Caldero, que veio da Venezuela para a capital com a mulher.
Reinalda Peres, de 29 anos, está há dois meses no espaço e também se sente muito acolhida. Ela veio com o marido e a filha tentar uma nova vida em Belém. Reinalda participou da apresentação de dança regional, o carimbó. “Sinto muito bem fazendo as atividades e já aprendi muitas coisas como as comidas daqui. Também gostei muito de dançar”, disse. A hora da brincadeira do quebra pote fez a alegria de crianças e adultos.
Serviço - No espaço de acolhimento os indígenas recebem acompanhamento diário com assistentes sociais, psicólogos, antropólogos, monitores e equipe de copa e cozinha. Além desses profissionais, há atendimento educacional por profissionais da Secretaria Municipal da Educação (Semec) que desenvolve atividades pedagógicas com as crianças, e ainda avaliação de saúde com os profissionais do Consultório na Rua da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).