Fiéis deixaram 100 toneladas de resíduos


Fiéis deixaram 100 toneladas de resíduos

A

s ruas repletas de resíduos,

após as principais romarias,

também são uma marca do

Círio de Nazaré: toneladas de

lixo e material reciclável são deixadas

pelos fiéis nas calçadas,

esquinas e valas do corredor

por onde passam as procissões,

num volume que este ano, de

acordo com a Secretaria Municipal

de Saneamento (Sesan) - que

começa hoje a pesagem do material

arrecadado - deve alcançar

a marca de 100 toneladas coletadas

na Trasladação e no Círio.

Os tipos de objetos mais

comuns são copos e garrafas

descartáveis, latinhas, papel

filme e papelão. Um tipo de material

que, rejeitado de maneira

incorreta, seria prontamente

descartado, tornando-se lixo,

não fosse o trabalho de centenas

de catadores de recicláveis

que trabalham exaustivamente

nos dias das romarias e das homenagens

para deixar a cidade

limpa e garantir o sustento de

suas famílias.

Uma dessas trabalhadoras

é a presidente da Cooperativa

de Trabalho de Catadores

de Materiais Recicláveis Visão

Pioneira de Icoaraci (Coca Vip),

Nádia da Luz, catadora há mais

de 20 anos. “Nós vamos atrás

das romarias, fazendo a retirada

do material e colocando nas

nossas ‘bags’”, explicou. Bem

CÍRIO 2018

Catadores seguem

atrás das romarias,

na tarefa de coletar

material reciclável

atrás seguem os caminhões,

que levam o material para as

cooperativas. “Ficamos desde

o inicio da Trasladação até 1

hora da manhã de domingo. Às

4 horas nós já retornamos pro

trabalho do Círio e ficamos até

as 15h normalmente”.

Segundo ela, nesses dias o

trabalho se intensifica e só na

rede em que atua, a CataPará,

70 profissionais trabalham nas

principais procissões. De acordo

com a Sesan, esse número, calculando

todas as cooperativas,

chega a 280. Nádia relata que,

em 2018, só a CataPará coletou,

nas duas romarias, quase 15

toneladas. “Na Trasladação tiramos

uma tonelada de papelão,

uma tonelada e meia de plástico

filme, pet, entre garrafas e copos

descartáveis, foram cinco toneladas.

Também retiramos 50 quilos

de vidro”, especificou.

No Círio os dados também

impressionam: seis toneladas

de pet, 800 quilos de plástico

filme, 600 quilos de papelão

e 20 quilos de vidro. “A gente

tira não só pra ajudar o meio

ambiente e nos sustentarmos,

mas também pra evitar que as

pessoas se machuquem. Muitos

idosos e crianças deslizam nesses

materiais”, acrescentou. Na

opinião dela, ações de educação

ambiental são necessárias no

período da festividade.

“A conscientização dos romeiros

e turistas quanto ao descarte

adequado é fundamental”,

avaliou. Ela também sugeriu

que os fiéis passem a levar sacoFÁBIO

COSTA / O O LIBERAL

Coleta é fundamental para restaurar o equilíbrio ecológico após a passagem das procissões por Belém

las para colocação de resíduos.

“Nas passagens sempre tem os

pontos onde eles podem despejar

de forma adequada. Tem

condição de não jogar no chão,

só é preciso ter consciência”,

pontuou.

Coordenadora da ONG Noolhar,

projeto social que visa

o desenvolvimento

sustentável através

de ações educativas,

Patrícia Gonçalves

considera que valorizar

o trabalho

desses profissionais,

na época do Círio,

além de melhorar a

renda dos trabalhadores,

mostra que o

caminho para uma

conscientização em

períodos e eventos com volume

significativo de pessoas e resíduos

foi encontrado.

“Importante muito além dos

números é o exemplo que fica.

Muitos romeiros acabam aderindo

à coleta e iniciando em suas

casas, por perceberem a importância

para essas famílias de catadores

e a qualidade e bem estar

coletivo nos centros urbanos.

Que o exemplo do Círio continue

e que cuidemos cada vez mais

da nossa cidade”, desejou Patrícia.

Para ela, o correto é verificar

a existência de uma cooperativa

no bairro e separar material para

coleta seletiva.