Denunciar e punir os abusadores são as principais armas para reduzir os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, segundo a análise dos organizadores da 15ª caminhada de combate aos crimes do gênero. A ação aconteceu na manhã desta quinta-feira, 18, dia mundial dedicado à causa, no distrito de Mosqueiro, região insular de Belém.
O evento reuniu centenas de estudantes e professores das redes estadual e municipal de ensino e representantes de toda rede protetiva, vinculada à Prefeitura de Belém, e serviu para reforçar a lição de que somente a denúncia é eficaz no enfrentamento de um crime tão sério pelo caráter silencioso e impacto emocional nas vítimas.
Em Mosqueiro, segundo dados do Conselho Tutelar do Distrito, de janeiro até este mês de maio, mais de duas dezenas de casos foram registrados e são acompanhados pelo poder público.
Pais precisam estar atentos
Segundo a conselheira tutelar Lilia Saldanha, os crimes se repetem sempre com as mesmas características, sendo as meninas, com média de idade inferior a 18 anos, as maiores vítimas. “O perfil é sempre o mesmo”, disse ela. “O abusador é geralmente algum familiar, o que inibe ainda mais a vítimas em criar coragem para denunciar”, completou.
O professor Leirson Silva, que atua na rede estadual de ensino e coordena o Centro de Referância da Assistência Social (CRAS) Mosqueiro, contou que recebe muitas denúncias em sala de aula e que os pais e responsáveis devem ficar atentos na observação do conteúdo que seus filhos ou filhas estão acompanhando pela internet.
“O excessivo uso das redes sociais agravou a situação, mas nós não podemos aceitar, temos que enfrentar, denunciando e punindo os autores desses crimes”, destacou Leirson. “O CRAS Mosqueiro está à disposição das famílias para qualquer situação”.
Rede protetiva
A professora Eliana Paixão, coordenadora do Unidade de Educação Infantil (UEI) Rotary e da programação da caminhada, disse que Mosqueiro tem uma rede protetiva atuante, mas que a participação das famílias, igrejas e entidades representativas de classe é fundamental para fortalecimento das políticas de enfrentamento dos casos de violência.
Ela classificou o evento como positivo, pois conseguiu levar às ruas de Mosqueiro a mensagem de união entre o poder público e a sociedade nas ações contra os crimes de abuso sexual. “Quero registrar meus agradecimentos à Secretaria Municipal de Educação (Semec), Polícia Militar, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Agência Distrital, Conselho Tutelar e Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente (Comdac), CRAS, CREAS, CAPS e aos familiares de nossos alunos pela presença em nossa caminhada”, disse Eliana.
Avanços
Segundo Cláudia Cézar, coordenadora do Creas-Mosqueiro, o município de Belém tem buscado a ampliação da rede protetiva. Neste primeiro semestre do ano, já foi realizado seminário distrital buscando a instalação da comissão com representantes das áreas jurídicas, assistência social, educação e saúde.
“O Creas está caminhando com os demais órgãos. Nosso papel é garantir atendimento especializado às famílias que sofrem violência, e nós estamos aqui na caminhada para fortalecer essa politica”, disse Cláudia.
Já o presidente do Comdac, Muller Maia, agradeceu o convite para participar do evento, que ganha importância à medida que esclarece a população sobre qual canal se utilizar para fazer a denúncia.
“Ficamos muito felizes e agradecidos pelo convite de participar desta 15ª caminhada de combate aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes e nossa mensagem nesse momento é de esperança e de busca na redução de até 50% dos casos de violência”, disse Muller, que é estudante de Direito e está à frente do conselho há dois anos. “Com apoio da Prefeitura de Belém e do Governo do Estado, vamos amenizar essa situação, que se agravou muito durante a pandemia da covid-19”.
Cultura
A caminhada em Mosqueiro foi encerrada com apresentações de números de dança, recital de poesia e interpretação musical. O professor e educador Anderson Pantoja aproveitou o evento para protestar contra os abusadores. Ele se vestiu de preto sob um guarda-chuva ornamentado com fotos de meninas vítimas de violência. O ato também atraiu dezenas de pais e crianças.