Uma saúde pública diversa, que respeita a pluralidade dos povos da Amazônia e dialoga com as reais necessidades de quem procura o Sistema Único de Saúde (SUS). Esse foi o tom da roda de conversa que a Prefeitura de Belém promoveu na manhã desta sexta-feira, 29, dentro da programação do Fórum Social Pan-Amazônico (Fospa) 2022, na Universidade Federal do Pará (UFPA).
Coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), o debate reuniu, nas tendas localizadas na cidade universitária, gestores da saúde pública municipal e representantes de diversos segmentos sociais, entre eles as populações indígena, negra, quilombola, povos tradicionais e de matriz africana, LGBTI+, população em situação de rua, ribeirinhos e palafitados.
Sabedoria - A pedagoga e agricultora Téo Nunes, de 70 anos, levantou a bandeira da prevenção ao defender o fim do uso de produtos químicos no cultivo de alimentos no campo. “Acreditamos que prevenir é promover saúde, então trouxemos essa fala aqui para o Fospa. A natureza já nos dá tudo. Não precisamos estragar aquilo que recebemos de graça”, afirmou.
Foi essa sabedoria popular, da floresta, que a agente comunitária de saúde Denise Soares, de 35 anos, levou de Mosqueiro para o Fospa. Nas tendas da Sesma, ela apresentava aos visitantes ervas, frutas e raízes usadas como agentes curativos. “Tudo o que trouxemos plantamos nos nossos quintais. São coisas que temos muito perto e que fazem muito bem à saúde”, assinalou.
Diversidade - O secretário municipal de Saúde de Belém, Maurício Bezerra, lembrou que o Fospa é a arena onde os povos da floresta têm voz. “Belém é a porta de entrada da Amazônia. Temos aqui reunidos todas as populações desse território, seja da área urbana, seja da rural. A Sesma está presente como governo, para ouvir a população e saber dela o que ela quer”, asseverou.
O respeito à diversidade é a marca do encontro e da participação da Sesma nos debates. “Cada segmento social que falou aqui tem uma particularidade e isso precisa ser respeitado. O SUS deve ser adequado a essas necessidades, com uma política que vá ao encontro daquilo que as pessoas, em suas múltiplas raças, credos, etnias e gêneros, precisam”, afirmou o secretário.
Serviços - Além do debate, a Sesma leva ao Fospa, no estande montado no Mirante da UFPA e na tenda externa de serviços, ações como aferição de pressão arterial e glicemia, consultas de enfermagem, testagem para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), educação em saúde (com distribuição de preservativos) e oferta de Práticas Integrativas e Complementares (PICS), como a auriculoterapia e a quiropraxia.
“Nosso movimento é como o da arte, que deve ir aonde o povo está. Esse trabalho, que é a Feira da Saúde do SUS, tem o mesmo objetivo. Estar no Fospa discutindo determinantes sociais que interferem na saúde é fundamental. Queremos fazer isso cotidianamente”, afiançou o coordenador da Referência Técnica em Doenças Crônicas e Não Transmissíveis da Sesma, Feliciano Marques.
Debates - A Sesma iniciou a participação no Fospa 2022 com a abertura da Feira da Saúde, na quinta-feira, 28, que foi marcada pelo cortejo da rede de atenção psicossocial. A concentração ocorreu na Praça da Bandeira, no bairro Campina, com a participação da população em situação de rua e refugiados, trabalhadores da Casa Rua e do Consultório na Rua.
A programação continua no sábado, 30, nas tendas da Sesma na UFPA. Às 16h, será feito um debate sobre os temas de trabalhos apresentados por servidores da rede de saúde municipal. Às 18h, haverá a apresentação cultural dos Tripulantes de Magikombi, que vão expor práticas educacionais na rede. Entre os temas a serem abordados estão a atenção básica, média e alta complexidade, atenção psicossocial, vigilância e políticas e práticas inovadoras em saúde.