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Educadores participam da formação inicial do programa Alfabetiza Belém

Foto: Leandro Müller - Ascom Semec
Educadores participam da formação inicial do programa Alfabetiza Belém
Educadores participam da formação inicial do programa Alfabetiza Belém
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Educadores participam da formação inicial do programa Alfabetiza Belém
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Educadores participam da formação inicial do programa Alfabetiza Belém
Educadores participam da formação inicial do programa Alfabetiza Belém

O Movimento Alfabetiza Belém reúne a Prefeitura, por meio da Semec, Movimentos Sociais, as Universidades Federal do Pará (UFPA) e do Estado do Pará (Uepa), o Instituto Federal do Pará (IFPA), a Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra) e instituições das esferas municipal e estadual

A frase “Livros, sim! Armas, não” e a citação de Paulo Freire “A educação muda as pessoas, pessoas mudam o mundo” inspiram a Formação Inicial dos Alfabetizadores, Coordenadores e Educadores da Educação Especial e Inclusiva do Programa Alfabetiza Belém, que teve início nesta segunda-feira, 9, e segue até sábado, 14.

O objetivo dos cinco dias de encontro é dialogar sobre o legado de Paulo Freire e da educação popular como matriz de referência para as políticas educacionais em Belém.

A formação inicial, realizada nos auditórios do Centro Cultural e Turístico Tancredo Neves (Centur) e da Faculdade do Pará (FAP), é destinada aos 92 alfabetizadores selecionados na primeira chamada pública do Alfabetiza Belém, lançada em 21 de abril pelo Movimento de Emaús, a partir de convênio firmado com a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec).

Emoção - Abrindo o encontro, uma apresentação organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reuniu em um cortejo representantes das instituições e entidades que integram o Alfabetiza Belém. Cantando “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, empunhando faixas, livros e os bonecos de Paulo Freire e do padre Bruno Sechi, o cortejo emocionou o alfabetizadores.

A secretária municipal de Educação, Márcia Bittencourt, lembrou do sonho de alfabetizar o Brasil, posto em prática na década de 1960 por Paulo Freire, e que foi interrompido pelo golpe militar de 1964. “Paulo Freire inicia o movimento em Angicos (RN), consegue alfabetizar pessoas, e é exilado”, ensinou.

Movimento revolucionário da história - “Este sonho vem pulsando no coração de muitas pessoas. Aqui a maioria de nós não era nem nascida, mas a história não morre, a gente estuda e entra no movimento da história. E Belém resolveu entrar no movimento da história, movimento que é revolucionário. Nós temos uma meta: 11 mil pessoas para alfabetizar em Belém”, acrescentou a secretária.

Márcia Bittencourt falou da “tarefa revolucionária” de alfabetizar Belém: “Queremos nossas crianças dentro da escola alfabetizadas, mas nós queremos ver alfabetizados, também, os adolescentes, os jovens, os adultos e os idosos, as pessoas que estão na feira, que estão no presídio, que não voltaram para a escola, as pessoas que estão em Belém, que estão invisibilizadas. Na pandemia (de covid-19) muitas pessoas sofreram, mas certamente as que não sabem ler e escrever sofreram mais, porque não puderam nem acessar o Auxílio Emergencial. É por eles que nós estamos em um movimento coletivo”.

Cidade Livre do analfabetismo - A secretária municipal de Educação também agradeceu a participação de cada educador no Alfabetiza Belém. “Vocês é que vão fazer história. São as mãos revolucionárias de vocês que vão fazer história neste movimento de alfabetizar Belém e tornar Belém uma cidade livre do analfabetismo”, disse.

A coordenadora do Movimento de Emaús, Cleice Maciel, destacou a parceria com a Semec nesta primeira chamada pública. “Quero dizer que nós não estamos assumindo um favor. É uma responsabilidade do Movimento República de Emaús, que há 51 anos trabalha com a garantia de direitos de crianças e adolescentes”.

"Oportunidade para transformar vidas" - A professora de História e ativista quilombola Micele do Espírito Santo Silva faz parte da primeira turma de alfabetizadores e participa da formação inicial. “Estou muito feliz com a possibilidade de poder trabalhar com este movimento, que eu acredito que é uma oportunidade de poder transformar mais vidas, abrir portas para os sonhos das pessoas. Eu, enquanto professora de História, que faz parte também do movimento quilombola, carrego também comigo a responsabilidade de poder compreender as dificuldades e atuar por uma educação que consiga realmente abraçar o sonho das pessoas, que consiga abraçar as nossas possibilidades enquanto seres humanos, enquanto pessoas dignas de direitos e de uma educação de qualidade”, disse.

Aos educadores selecionados será destinada uma remuneração no período de cinco meses, para custeio das despesas realizadas no desempenho na atividade, nos valores de R$ 650 para alfabetizadores e educadores da educação especial e R$ 800 para coordenadores.

Albafetiza Belém é prioridade para a prefeitura  - O Movimento Alfabetiza Belém é uma ação prioritária da Prefeitura de Belém, que tem como objetivo reduzir o número de pessoas não alfabetizadas no município. Segundo o Cadastro Único para Programas Sociais (Cadúnico), há mais de 11 mil pessoas na situação de não alfabetização na cidade.

Para enfrentar este cenário, o Movimento Alfabetiza Belém, que reúne a Prefeitura, por meio da Semec, Movimentos Sociais, as Universidades Federal do Pará (UFPA) e do Estado do Pará (Uepa), o Instituto Federal do Pará (IFPA), a Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra) e instituições das esferas municipal e estadual, ofertará nesta primeira chamada 80 turmas de alfabetização em todos os distritos da cidade.

As turmas são destinadas a jovens a partir dos 15 anos de idade, adultos e idosos e começarão a funcionar ainda neste primeiro semestre de 2022.

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