Tradicionais alimentos da culinária paraense, o peixe, a farinha e o açaí são facilmente encontrados na mesa do belenense. Para atender a grande demanda desembarcam na capital, todos os dias, grandes quantidades desses produtos. No maior entreposto de pescado fluvial e marítimo da região Norte, a Pedra do Peixe do Complexo do Ver-o-Peso, desembarcam aproximadamente 130 toneladas de pescado, diariamente, o correspondente a cerca de 70% do pescado comercializado na capital.
Esse mesmo pescado é encontrado com facilidade pela população no mercado de peixe do Ver-o-Peso, nos supermercados e restaurantes. De acordo com o presidente do Sindicato dos Peixeiros, Fernando Souza, somente no mercado são comercializadas até três toneladas e meia de pescado por dia, e esse número costuma dobrar com a chegada da semana santa.
A grande variedade de peixes atrai muita gente para o Ver-o-Peso, inclusive de outros municípios do Pará. Rosalina Santos e Raimundo dos Prazeres vieram de Moju para passar o feriado com a filha, e já garantiram o pescado da semana. "É a primeira vez que a gente vem comprar aqui, mas já gostei muito, tem todo tipo de peixe", disse Raimundo. "O peixe daqui também é bem melhor que o de lá – Moju -, e o preço também", completou Rosalina.
Edson Mesquita trabalha há 30 anos como peixeiro no Ver-o-Peso. Aprendeu o ofício ainda pequeno, aos 10 anos de idade, com o tio. Com o tempo resolveu se especializar, participou de vários cursos, e devido à grande habilidade para filetar peixe, começou a ficar conhecido pelos donos de restaurantes que, agora, compõem metade da sua clientela. "Hoje me sinto um grande profissional, realizado mesmo. Já tenho outras pessoas que trabalham pra mim, porque sozinho não dou conta de toda a procura que tenho aqui", ressalta.
O vendedor de farinha Carlos Alberto Alves de Souza, conhecido como “Nego”, destaca que “quem vai ao mercado comprar peixe não vai embora sem comprar também a farinha”. A farinha vendida no Ver-o-Peso vem do Acará e do Moju, chega em barcos as terças e sextas por volta de meia-noite, e abastece todos os vendedores do mercado, podendo ser encontrada em grande quantidade e variedade, o que agrada tanto aos paraenses quanto turistas brasileiros e estrangeiros. “Eles gostam muito da farinha amarela, porque geralmente não têm onde eles vivem. Às vezes eu até ensino como fazer uma boa farofa”, afirma Carlos.
A presença dos turistas é tão expressiva no mercado do Ver-o-Peso, que o vendedor de farinha já começa até a expandir os negócios para atender o gosto desse público. “Hoje em dia vendo também cachaça de jambu, de gengibre; semente de jambu, pimenta, porque eram coisas que eles procuravam muito, além da farinha, claro”, completa.
Mas a maior parte da clientela de Carlos Alberto ainda é formada por restaurantes e casas de evento. “Tenho uma venda fixa para esses clientes. Eles compram por quilo, eu tenho uma cliente que compra 20 quilos toda sexta-feira”, destaca.
Um dos clientes fixos da barraca do Nego é Edson Rodrigues, que trabalha no setor de refeição do Ver-o-Peso. Ele compra diariamente cerca de dois quilos da farinha de farofa amarela e branca, que vão acompanhar os pratos vendidos em sua barraca. “A farofa daqui é mais gostosa e tem mais opções. Além disso, aproveito pra comprar também a farinha de tapioca pra minha casa”. Edson explica que a farinha de tapioca é consumida diariamente com açaí, por toda a família. “O melhor açaí que tem é o da Feira do Açaí, então vou bem cedinho lá pra garantir, e depois passo pra comprar a farinha aqui. Os meus sobrinhos não comem sem o açaí”, revela sorrindo.
A Feira do Açaí também faz parte do Complexo do Ver-o-Peso e recebe o maior volume do fruto no Estado, em torno de 100 mil quilos por dia. O açaí é desembarcado ainda durante a madrugada, proveniente principalmente do arquipélago do Marajó e regiões ribeirinhas, e é comercializado durante toda a manhã. De acordo com o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), o fruto está entre os produtos mais vendidos no complexo. São cerca de 30 toneladas de açaí por ano, seguido pelos produtos hortifruti e pescado.
Complexo do Ver-o-Peso: A Secretaria Municipal de Economia estima que circulam cerca de 50 mil pessoas por dia no Complexo, número que costuma dobrar durante épocas festivas, como Círio e fim de ano. Em uma área de 30 mil metros quadrados ocupados por 1.114 permissionários, podem ser encontrados desde produtos alimentícios como carnes, camarão, peixes, legumes, frutas, açaí e tucupi, até ervas medicinais, artesanato, plantas ornamentais, roupas e muito mais.