Com o tema Celebração viva da palavra, a I Festa Literária de Belém encerrou nesta sexta-feira, 23, proporcionando à literatura paraense o lugar de destaque que merece e que é necessária aos leitores da cidade. O evento iniciou no dia 16 e foi realizado pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), na praça do Povo, no Centur, em parceira com o Governo do Estado do Pará.
Em sete dias, 67 mil pessoas visitaram os espaços de debate, apresentação artísticas, oficinas e venda de livros. Os escritores paraenses homenageados como Heliana Barriga, Antonio Juraci Siqueira, Zélia Amador de Deus e João Paes Loureiro, foram prestigiados pelo público e pelas escolas municipais. E o último dia da Flibe ainda reservou surpresas com o lançamento de livros de professores da rede municipal de ensino.
Escritores – O espaço Mairí Leitora recebeu quase cem escritores paraenses, que participaram com exposição ou lançamento de suas obras, como ocorreu o lançamento do livro “Cenas de Multiletramento na educação de crianças surdas”, da servidora da Semec, a professora Tatiana Maia.
“O livro traz possiblidades de aprendizagem em várias linguagens como suporte para o ensino com a criança surda a partir do gesto, som, imagem, do teatro. É fruto da minha pesquisa de mestrado desenvolvida no Instituto Filippo Smaldone, especializado em trabalhar com crianças surdas para que os professores possam acessar um material para ser utilizado nas suas experiência em sala de aula”, comentou Tatiana.
Ela disse que se sente valorizada pela Prefeitura de Belém, que abriu o espaço para compartilhar o conhecimento científico produzido na rede municipal de ensino de Belém.
Livreiros – Com um acervo literário vasto e distribuído em 30 estandes, livreiros comemoram o sucesso do evento com 38 mil livros vendidos, na maioria, com o auxilio do Bônus-Livro R$ 200 proporcionado pela Prefeitura de Belém para todos os trabalhadores da educação, num investimento de R$ 1.412.200,00.
O editor adjunto, Lucival Lobato, da livraria e editora paraense Paka-tatu, avalia de forma positiva a oportunidade que a Flibe trouxe ao consumo de literatura local.
“É muito importante termos mais eventos como este tanto para o lado financeiro quanto o lado cultural do nosso estado. O pessoal tá vindo, não só os professores com o bônus-livro, mas o público em geral, e acaba consumindo também. As vendas foram surpreendentes, mesmo depois de um outro evento literário recente as pessoas estão consumindo bastante”, relatou Lucival.
O jornalista e escritor, Paulo Roberto Ferreira, autor de "Mosaico amazônico" do estande Escritores Paraenses contou que a Festa Literária era muito esperada. "É uma oportunidade muito boa, porque a nossa literatura precisa de valorização e o poder público tem esse poder, principalmente, quando é realizado pela Secretaria de Educação, que tem a meta de fazer Belém ser uma capital leitora. Isso estimula o escritor, mas abre espaço para o leitor e, sobretudo, à juventude. A gente só pode se orgulhar de um evento como esse".
Público - E a juventude compareceu e aproveitou. Em cada programação havia a presença tanto de estudantes municipais, quanto estaduais. Pietro Costa Gonçalves, de 13 anos, da escola municipal Avertano Rocha, em Icoaraci, é apaixonado por histórias em quadrinhos. "A Flibe está bacana. Sempre gostei de quadrinhos e já adquirir um da Marvel pra mim. Também tô levando alguns livros infantis pra minha irmã", disse.
Manoela Viana, de 17 anos, da escola estadual Ulisses Guimarães, estava com os amigos da escola e se divertiram no estande dos Escritos Paraenses. "Foi de última hora que viemos e estamos gostando. Chegamos e começamos a ver e comprar os livros. O evento é muito importante para incentivar a leitura, porque ela ajuda a afastar de coisas ruins. Aqui vimos meninos lendo, tocando piano. É muito legal", comentou.
Balanço – Entre as atividades ainda tiveram 27 atrações artísticas no palco central, mais a apresentação de 28 escolas municipais, 32 bate-papos com autores paraenses no Café Literário, mais de cem escritoras e escritores no espaço Mairí Leitora, mais de 40 de obras audiovisuais exibidas no cinema, 14 atividades entre palestras e mesa redonda, 21 oficinas de leitura, escrita e expressão, duas exposições fotográficas, uma Mostra de Sabores, Mostra Cultural dos servidores da PMB, diversas formações para professores da rede municipal e rodas de conversa com autores em salas de leitura.
A I Festa Literária de Belém encerrou com o belíssimo show da cantora paraense, Gigi Furtado e agora deixa saudade. A boa notícia é que a Flibe entrou para o calendário de eventos permanentes da Prefeitura de Belém.