Com o compromisso de fomentar o debate nas escolas sobre a violação dos direitos humanos, em decorrência do racismo, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), lançou nesta sexta-feira, 12, no auditório do Centro de Formação de Educadores Paulo Freire, a cartilha educativa “Marielle: Direitos Humanos e Antirracismo na Infância”.
O material foi organizado pela Coordenação de Educação para as Relações Étnicos-Raciais (Coderer), vinculada à Semec, em parceria com o Instituto Paulo Fonteles (IPF) e a Comissão de Organização do Projeto “Acervo de Memórias, Histórias, Direitos Humanos e Cidadania”, da UFPA.
Enfrentamento ao racismo
A ideia de produzir uma cartilha para subsidiar o trabalho pedagógico em relação à diversidade étnico-racial no contexto escolar e como ação de enfrentamento ao racismo, surge de um levantamento que a Coderer fez nas 84 bibliotecas escolares da rede municipal de ensino de Belém e constatou que apenas 1% dos materiais didáticos tratavam sobre educação para as relação étnico-raciais de forma positiva.
"Em 2021, quando foi criada a Coderer, fizemos um levantamento do material pedagógico, do perfil dos professores e das 84 bibliotecas escolares, constatamos que só 1% tinha alguma discussão sobre a diversidade étnico racial.
Percebemos a necessidades de produzir materiais para subsidiar alunos e professores. Essa cartilha é a primeira de várias que iremos criar", explicou a coordenadora da Coderer, Sinara Dias.
A Cartilha "Marielle direitos humanos e antirracismo na Infância", tem três personagens, a Marielle em homenagem à vereadora morta no Rio de Janeiro; a Márcia, crianças indígena que vive na cidade; e Paulo menino branco. A cartilha tem 2 capítulos.
Enredo
O primeiro capítulo é um diálogo entre Márcia e Paulo, no qual eles falam dos direitos humanos e racismo. No segundo capítulo, os três vão à sala de aula apresentar um seminário, falando sobre o racismo e os os tipos de racismo.
Nessa primeira etapa, como projeto piloto, os kits com a cartilha, o vídeo antirracista, feito em parceria com a Rádio Margarida, e os jogos educativos, serão implementadas em oito escolas que fazem parte do projeto "Escolas Antirracista", coordenador pela Coderer.
Combate ao preconceito
Para o vice-prefeito de Belém, Edilson Mora, a cartilha surge pra combater o crescimento do racismo e preconceitos nos últimos anos. "A nossa sociedade é racista, é uma sociedade preconceituosa, nos últimos anos esse preconceito e esse racismo foi aflorado, saiu do armário e ganhou voz. Ao lançar essa cartilha, a Semec abre espaço de debate na escola que, em primeiro lugar, combate as fake news e ajuda a formar multiplicadores antirracistas", declarou Edilson Moura.
"Não é só uma distribuição de cartilha, é uma política permanente e frequente no combate ao racismo e todas as suas consequências que a Prefeitura de Belém vem desenvolvendo", comentou a secretaria municipal de Educação, Araceli Lemos, que lembrou ainda que deve haver um combate à ignorância historica.
"Se este país está de pé, se deve muito àqueles que foram arrancados de sua pátria pra trabalhar como escravo em plantações e lavoura", completou.
A meta do projeto é chegar em todas as escolas de Belém com o Kit Antirracismo, ainda este ano.